Certos lugares me sufocam. É uma atípica claustrofobia que nada tem a ver com as dimensões espaciais. Elevador, sala fechada, banheiro de avião. Nenhum deles provoca essa minha crise. Agonia mesmo eu tenho dos trieiros, esses terrenos pisados em que as pessoas fazem filas e bandos, guiadas por modas e suas correntes. Aliás, não parece haver melhor palavra pra descrever isso: correntes. Musicais, literárias, religiosas, políticas, teóricas, metodológicas. Setas indicativas pra que ninguém saia da linha. Uniformes e crachás, tudo escrito na embalagem como qualquer produto industrializado.
Que fetiche pela definição! E quanto mais sucinta, melhor. Pegue suas opiniões, compare-as com as dos que estão perto de você, jogue fora as que forem discordantes. As que se parecem, coloque num vidro de maionese e tampe bem. Escolha uma palavra bonita que estampe o rótulo. Vista-se para a guerra e defenda as correntes que lhe garantem a condição de sujeito.
Se não gosta do reino dos céus, da mística mãe natureza ou dos ternos e discursos de elite, calma. Não precisa espernear. Pra ser libertário, é só seguir pelo trieiro paralelo. Acompanhe aqueles moços de cabelos desgrenhados e risos dopados, aqueles que estão ali distribuindo panfletos sobre consciência antes de esquecerem as suas em alguma roda de fumaça. Se não quer ser tido como reacionário, trate de agarrar uma bandeira, qualquer que seja, e desfile em marcha atacando os bitolados, que, nas trilhas ao lado, enaltecem o mercado, a ditadura ou a tendência da cor do batom.
Ahhh, é demais pedir um mundo sem tantas retas? Que me deixem fazer uma curva vez ou outra. Transitar. Transcender, mesmo que não goste de maconha ou igrejas.
Fran, adorei seu texto! Me identifiquei! Também não dou conta dessa mania de colocar tudo em potinhos e ter que "abraçar com unhas e dentes" algum deles pra ser moderninho!
ResponderExcluirBeijos! =)
kkkkkkkk
ResponderExcluirGostei demais.
"Se não quer ser tido como reacionário, trate de agarrar uma bandeira, qualquer que seja, e desfile em marcha atacando os bitolados, que, nas trilhas ao lado, enaltecem o mercado, a ditadura ou a tendência da cor do batom."
Perfeita crítica à necessidade humana de se encaixar (ou ser encaixado pelos outros) em um grupo, na maioria das vezez, só porque está na moda. Lamentável (embora eu nem sofra mais com isso, e com tantas outras coisas que sofria na epoca da faculdade. rsrs)
Vinícius,
Abraço