segunda-feira, 1 de março de 2010

Pela transparência

Às vésperas de enfrentar (pela segunda vez) uma banca de seleção de mestrado, para além da previsível ansiedade, entre meus pensamentos figura uma sensação obscura e densa. Aparentemente é a angústia comum aos dias em que te medem e avaliam. Eu mesma pensaria isso, não fosse esse grito que me embrulha o estômago: transparência!
Em todo canto há pessoas assentadas sobre seus poderes, fazendo-se maiores que as instituições. Eis a origem do nepotismo, da corrupção, do clientelismo.Para facilitar a dança, as cartas circulam por um salão cheio de fumaça e pouca luz. As regras existem, mas também os mecanismos para invalidá-las conforme o interesse maior. No mestrado da Facomb/UFG, as pessoas são aprovadas ou reprovadas sem sequer terem o direito de saber onde falharam. E que ninguém ouse dizer das falhas do próprio processo.
Depois da prova teórica, a guerra é política. Do alto de seus doutorados, professores observam candidatos e projetos a procura de espelhos. São selecionados os que, por sorte ou inteligência, escolheram temas calçados pelo Lattes do orientador.
As abordagens não representadas que procurem outros reinados, digo, outros espaços e universidades, seguindo o pressuposto lógico de que todos têm condições pra isso. Ora, não parece óbvio que quem não tem dinheiro pra morar onde quiser sequer deveria pensar em estudar por tanto tempo?
No meio disso tudo, constato: mero espetáculo o momento da entrevista. Se é apenas a adequação do projeto que define a história toda, o resto é firula pra constar nas atas. E pergunto: O que diria Habermas, que tratou da refeudalização da esfera pública, se estudasse como se dão as disputas no espaço acadêmico?

6 comentários:

  1. A única coisa que tenho dizer é: concordo.

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  2. reflexões, se pensar que tudo na vida se trata de networking... é a chama rede de contatos que te faz ser "desejado", "disputado", quisto ou não quisto.

    Gostei da colocação Fran e entendo sua ansiedade, apesar de nunca ter prestado o mestrado na FACOMB. Algumas vezes devemos pensar se merecemos estar na instituição ou se a instituição nos merece...

    =*

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  3. Oi, Fran, tá jóia?
    A Gabi indicou seu texto no twitter e eu vim ler, já que tive essa mesma angústia sua em 2007, quando não passei pelo crivo da entrevista. E quando te conheci o ano passado, me identifiquei bastante com a sua história. Com a diferença que parece que minha "encenação" deu certo, apesar de nunca terem me explicado isso tireito.
    Enfim, o Renato disse tudo, temos que ver se a instituição nos merece... Tenho algumas coisas pra comentar com voê, mas vou esperar essa fase nervosa da entrevista passar, tá? Aí eu volto aqui e conto um pouco dos critérios de avaliação do mestrado, que são os mais bipolares que eu já vi. eheheh
    Se for o que realmente você quer, estarei na torcida! Boa sorte, seja você mesma e não tenha medo do que as pessoas aparentam, querem apresentar ou tentam representar!

    beijos, Patrícia da Veiga

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  4. Só mais uma coisa. O nosso querido véi me disse uma coisa que me fez decidir em fazer o Mestrado da Facomb: "Mestrado é só um ritual de passagem."

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  5. Achei importante mencionar alguns desdobramentos da situação. Diferentemente da seleção anterior, esse ano foram adotados certos mecanismos que trouxeram um pouco da transparência que evoco no texto acima.
    1. Classificação de aprovados e não aprovados (mas só a nota final. O ideal é que seja etapa por etapa);
    2. Edital de seleção para Aluno Especial. (Qt avanço, Facomb. Parabéns, rs);
    3. Explicação formal sobre os critérios de distribuição das bolsas.

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