domingo, 11 de abril de 2010

Das palavras (ar)riscadas

Traço a traço, rabisca o parágrafo, desfazendo-se em linhas quebradas: lamento surdo pelas palavras que jamais pôde dizer. Não que faltasse fôlego, discurso ou a tola esperança que move qualquer falante.
Tinha consigo todo o ar do mundo e um arsenal engatilhado de verdades e vontades. Escondidos sob as mangas, diferentes tipos de sentir. E a qualquer um deles se adaptaria pra que apenas pudesse, um momento que fosse, recebê-lo em sua poesia.
Poderia até arredondar a letra ou, pela primeira vez, respeitar as margens. Encolheria a estrofe pra caber naquele pedaço pequeno de coração que ele reservara. Mas a vida, "real e de viés", fez com que, por medo ou simples descaso, não houvesse mais nenhum papel na história do herói que ela mesma inventou.

0 comentários:

Postar um comentário