Igrejas, partidos e homens roubaram-lhe a habilidade da ilusão. Na remuneração da fé, nas lutas usurpadas, nos abraços solúveis, deixou que se diluíssem as explicações que, bem antes dela, inventaram para o mundo. Para além dos mitos de amor e revolução, agora há um corpo cansado de andanças e crenças, voos e tropeços. Num apego existencialista, se embriaga e se abriga em versos marcados, rotinas de trabalho, sorrisos débeis e qualquer outra reconhecida mentira pra contar os dias.
Porém, contradizendo o raciocínio e a coerência que os livros emprestam, as lembranças dos dias de devaneio e engano, inquietas, a impelem a exigir da vida a capacidade de se iludir outra vez. Verdade seja dita: antes o sonho intangível à solidez solitária dos que se refugiam.
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