sexta-feira, 14 de maio de 2010

E se deixará ferir por toda sorte de apegos...

E se deixará ferir por toda sorte de apegos que lhe arranhem os olhos e façam diluir-se em medos. Em qualquer dessas palavras que se beijam, em qualquer riso bonito e distante, construído de nuvem e beija-flor. Deixará que os sapatos ditem um rumo esquecido, um abraço inseguro ou um instante que adie a certeza pungente de que ninguém se importa. Deixará os bolsos vazios, para que nada pese mais que a consciência do mundo. Deixará o sentimento. E, por fim, que as verdades escapem, tolas, que as dores se agitem e saltem por veias e vozes ou poros ou ponte. Que se revele a inconsistência das decisões, a incoerência dos que se deixam enganar. Deixará.

4 comentários:

  1. Lindo! Um texto tão pequeno, tão redondo... e a plena poesia plena.

    Hamilton

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  2. Eita como é bom saborear tais palavras e depois rumina las... Parabéns!

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  3. Cada dia melhor, Fran.
    Arrepiei. Sério. Texto redondinho, redondinho.

    Saudades...

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