Marília ainda se convence de que não há latência, nem qualquer outro sonho para o raso daquele rio. Bem que tenta. Bem que insiste. E nega que enxergue sozinha um horizonte, linha pontilhando até o futuro. Ela me disse que não, que já se deu conta, por fim, que a vida ditou outro rumo. E riu-se, resignada. Mas vejo diferente, além das palavras sem asa e expressões ensaiadas.
Ela diz que não mudou, mas eu sei que se refez no desenho dessa mentira. Aquele atassalho no meio da história travou a menina. Em pedaço, ela perdeu a medida, o prumo. Habituou-se ao escasso e ao longe. A fingir desinteresse e adaptação. E respira pequeno, pra não entrar dúvida em vez de ar. Anda em círculos, colhendo motivos, pedindo e oferecendo desculpas, alimentando desejos, como os velhos fazem aos pombos.
A "querência" dissolveu-se em pó. E ela foi procurar um barranco pra se sentir segura.
ResponderExcluir