quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Até que outro abraço lhe sirva

Notou, noutro dia, que ainda era difícil caminhar sob a lua quando essa crescia e tomava espaço demais lá no céu. Tomava espaço demais em seus olhos, espaço demais dentro do peito. A lua pequena lhe caía bem, já que harmônica aos desejos pequenos, aos passos calmos, à lucidez dos dias. Se grande, brilhante demais, lhe fazia transbordar os sonhos, supitar toda loucura que escondeu. Imensa daquele jeito, a lua destoava do conjunto, não combinava consigo.
E então descobriu um desses mistérios que só são percebidos no silêncio, quando se deixa de lado as rédeas e o equilíbrio que resta: a vida tem seus tamanhos. Ela engorda, emagrece, cresce daqui, diminui de lá. (E é desse efeito sanfona que sai a trilha sonora.) Pois bem, entre encaixes e desajustes, a vida segue padrões métricos, que, por sua vez, não seguem critério algum.
Os planos que ontem eram tão profundos, amanhã podem ser rasos; os que se imaginava cumpridos, podem voltar ainda maiores e inacabados; os que amanhecem folgados podem no mesmo dia crescer tanto, a ponto de arrebentar os botões e sufocar o peito, mas também podem ir murchando até desaparecerem. Se existe uma lógica pra tais variações, ela ficou sem saber, mas seguiu com suas conclusões...
sorriso largo até que ajusta com alegria curta, mas sentimento grande só dá certo com outro do mesmo tamanho

...e desejou combinar com lua cheia.

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