quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Não se engane com grandes atenções (Ou ode ao relativo desprezo)

Não se engane com grandes atenções e vocativos diminutos, como se num abraço pudesse bloquear qualquer desventura que a vida tente desferir contra ela; como se, na reprodução de uns versos, traduzisse a alma feminina em essência e pudesse salvá-la de um grande mal.
Em que pese tudo o que aprendemos sobre romances, nem sempre as mulheres se comportam como princesas em torres. Aliás, pretender-se herói de alguém parece ser o caminho mais curto para o esquecimento.
Não que seja certo ou facilmente compreensível, mas às vezes há na insuficiência de zelo e afeição algo mais sólido que as relações de verdade. Nessa ausência voluntária, alguma coisa cativa. Talvez apenas uma espécie de encanto literário, uma silhueta de história, penumbra de sentimento. Talvez. Mas independente do que seja, é inegavelmente mais forte que palavras ensaiadas em frente ao espelho e o pedantismo do que alguns chamam de conquista.

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Adianto que pretendo escrever outros fragmentos com o tema 'não se engane'. Se alguém tiver histórias interessantes que desconstroem manuais de conquista (nas diferentes esferas da vida) e quiser servir de fonte (em off) para esses textos, pf mande e-mail para jornalistafranrodrigues@gmail.com