Quem quiser falar de alegria, que se apresse, pois ela passa mais rápido que o tempo necessário para fazer-se poesia. Não se deixa medir nem entender para caber em teoria. Ou dela se faz um verso assimétrico com rima viciada ou não se faz nada além de saudade. Escapa pelos dedos, zomba dos incautos feito menina faceira escondida em galho de árvore. Há que registrá-la de longe, observar despercebidamente, como quem não procura, nem sabe que encontrou. Melhor ainda se fizer parecer que nem foi notada em meio a paisagem, como se também fosse folha, casca de tronco, flor que passeia no vento. Caso contrário, se assusta feito borboleta e voa sem olhar pra trás, "sem lenço, sem documento". Quem dela quiser extrair alguma arte, haverá de ser um retrato retirado no automático. Se quiser fazer grande obra, com luz planejada no fotômetro e dimensões ensaiadas, na foto só terá sua última pegada, deixada no concreto ainda fresco dos planos que construía pra ela.
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