Linhas que se cruzam displicentemente formam a vida e seu modo de nos conectar a ela. Nesse emaranhado de instantes, sem tempo hábil para traçar uma rota de fuga ou estancar as feridas, antes que silenciem outros apegos partidos, somos empurrados ladeira abaixo; obrigados a submergir em meio aos mais variados enganos e utopias, a nadar contra tantas correntes, ainda que sejam mirrados os braços e a capacidade de compreender ou prosseguir.
De olhos fechados, para que seja mais fácil desistir antes de tentar, seguimos na esperança de encontrar alguma coerência no todo que se forma a partir desses fragmentos desordenados. Histórias se entrecortam, complexas e dolentes. Para rir ou chorar. Desses retalhos, de laços, de nós, permanecem subjuntivos reticentes, que se movem por vezes vagarosos como o encontro das mãos, por vezes tão vorazes quanto o beijo cristalizado em pensamento.
Lembranças inapagáveis. Um olhar que parece eterno, mãos entrelaçadas que “se conversam”, dizendo sobre qualquer impedimento ou limite, enquanto implodem forças maiores que toda a consciência e virtude. Drummond, mais sábio que a vida, aconselha a não cantar o futuro:
Detida num átimo e por ele protegida, fecho os olhos novamente. Dessa vez para esquecer, conduzir a um canto intangível da memória qualquer expressão ou mesmo sentimento que não pertença à realidade.

Queria eu estar preso a esse átimo. Vc escreve muito bem, Fran. Bj,
ResponderExcluirThiago.