sábado, 24 de setembro de 2011

Palavra, caminho e outras buscas

As palavras eu quis encontrar no céu da boca dos poetas, como se lá repousassem segredos, as fendas da poesia, um caminho que me levasse aonde nenhum outro iria. Elas, eu sempre soube, não se dão a conhecer facilmente. Demandam busca insistente que só pode realizar quem compreender o mistério de que mesmo a mais frágil palavra é bem maior que o sentido. É preciso merecer o poema, que possui o seu critério. Do verbo ao verso há um caminho que não se resume à compreensão da língua. Mister conhecer atalhos e percorrer a rota mais longa. Sentir a letra vibrante no sangue, no seio, na mente até se materializar num canto, da voz pungente, ou da casa, ou da história toda. Busco, pois, o meu caminho. A estrada em que caibam meus pés, sem que seja preciso encolher ou esticar o passo; uma rota que me contemple sem espanto ou esforço ou comparações. Quero o caminho árduo da poesia que se faz na simplicidade dos silêncios compartilhados.

1 comentários:

  1. " o caminho árduo da poesia que se faz na simplicidade dos silêncios compartilhados"

    escreva mais, fran. a poesia já é seu caminho.

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