sábado, 3 de setembro de 2011

Promessa

Com o fôlego que restava, a avó disse, ainda segurando-lhe as mãos: "Não chora, filha. Morte é só quando o coração para de bater na gente". O gente até ficou incompleto, como são as pessoas mesmo. Não adiantou dizer. A menina chorou sim. Sem entender das perdas, das coisas que se acabam e como ou por que as pessoas também fazem parte disso. Aquela foi a primeira vez que experimentou da morte e, por ironia, isso é, até hoje, a lembrança mais viva que carrega dentro de si. É como uma esperança que ela repete com a voz reinventada da avó que, sempre que preciso, surge alva e muito doce, para  lhe acalmar com a promessa de que chega uma hora que o coração para de bater na gente.

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