E de repente você está imerso nos mesmos clichês que condena, acreditando que poderia encontrar um arco-íris que lhe serviria como ponte. Para longe das próprias culpas e rumo a um abrigo sem sombras. Um lugar seguro, ainda que vazio. Você, que apontava os crimes de outrem, agora amarga na boca não apenas o que lhe acusa como também o que disso resulta. Esse riso tolo, resignado, como quem tenta explicar-se ou ao menos reconhecer-se nos próprios atos e vontades. Em vão. Há mil deuses que podem perdoar-lhe, dentre todas as razões que invocar, mas não há tempo para recuperar as perdas. Nem haverá.
Foram muitas despedidas para tão poucos encontros. Soa vaga e imatura essa esperança de que o tempo possa resolver tudo. Ora, são homens, não ampulhetas, que fazem a história. Como se o futuro, por si só, tivesse o poder de reparar os danos ou fazer as escolhas que nos cabem. Não tem. Ao contrário, o passar da vida tende a reduzir a coragem com que enfrentamos o súbito que desorganiza nossas previsões. Daí que toda distância nos seja útil. Vai deturpar imagens, mitigar desejos e amarelar as páginas das histórias que causam medo.

Ora, são homens, não ampulhetas, que fazem a história.
ResponderExcluirUm tapa com luvas de pelica ein!!!!
Parabéns vc sempre escreveu muito bem. Beijo
seu nome anônimo?
ResponderExcluirPor causa da frequência desses comentários anônimos, que nada acrescentam ao blog, decidi bloquear essa função. Os comentários identificados e referentes aos textos serão sempre bem-vindos.
ResponderExcluirA direção =)