As flores que ganhei pesariam o percurso e talvez as decisões. Levei para casa apenas o cartão sem nome, onde qualquer outra pessoa poderia ler minha insensatez. Mas sempre tive essa habilidade de optar pelo pior. Feito Clarice, sinto inexplicável apreço por tudo que se arrasta desajeitadamente e, pontiagudo, fere querendo afagar. Nos poemas que leio, vejo-me pálida e castanha; parte apagada da viagem, uma miragem que ganha vida para repetidas vezes morrer. A quanta sinceridade pode um encanto resistir, eu não sei. Tampouco se tudo isso é disfarce, já que ainda lembro da silenciosa intensidade. Por hora, quero alguém que me abrace sem alertas e repetições. Quero ir embora em qualquer desses vagões, marcar um café para as três da tarde e me esquecer que já é fim de dezembro. Talvez ainda haja tempo de salvar as rosas e nelas descobrir tranquilidade.

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