sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Previsão do tempo


Caminhava na madrugada, como se buscasse naquela solidão algo que o redimisse de tantos enganos. Tomou por cúmplice a lua, que o seguia discreta e pacientemente, como se fora ele o único notívago errante e dependente de alguma luz emprestada.
Havia sido um dia seco, envolvendo a umidade relativa daquele homem aflito. Havia sido um dia longo, da mais espessa quietude, entrecortada por pancadas de pensamento. Horas atrás, no jornal, um mapa de áreas claras anunciava, mais uma vez, tardes ensolaradas e noites quentes.
Lembrou-se e esboçou um sorriso vago, enquanto sentia a força do vento e suspirava denso em busca de algum alívio. Naquela cidade agreste, mais previsível que o tempo só mesmo os rumos daquele jovem que encontrou na inércia sua aparente felicidade.
De repente, as nuvens moveram-se com velocidade e, já sem nenhuma proteção, viu-se debaixo de um céu inesperado, que desabava em águas ligeiras e indomáveis.
_ Dessa vez você errou!? - de uma marquise, ironizou um velho que se escondia do temporal.
_ Meu melhor erro! Disse o jovem àquele senhor, quando entendeu o que é que lhe fazia tão seco.
Continuou lento pela rua, enxergando em cada passo um pedaço da própria cartografia. Olhou, ainda, para as mãos molhadas e não quis compreender nenhuma das linhas que nelas havia, já que de previsões - confessou - ele nada entendia.
E foi assim que o homem do tempo perdeu o medo da chuva.

1 comentários:

  1. acho que não gosto da ideia de que vc só produz esses textos tão bons quando está triste

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